Guadalupe

​SANTUÁRIO DE GUADALUPE, MX.

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Igreja nova do Santuário de Guadalupe

A fantástica demonstração de fé dos mexicanos, no santuário de Guadalupe, revela o multiculturalismo, onde grupos, movimentos sociais, indivíduos e famílias lotam o santuário guadalupano. Multidão, famílias com os seus filhos pequenos, bebês no colo e nos carrinhos. Jovens carregando cruzes, estandartes, velas. Casais pagando sua promessa. E um museu, brilhante pela arte sacra, rico com os ex-votos pictóricos, que teima em não permitir a fotografia.

O show fica à parte, proporcionado pelas pessoas, que buscam os seus lugares para os lanches, as fotos, o acender de velas. A igreja principal, lotada. A cada momento movimentos campesinos chegam com demonstração folkcomunicacional do som, das cores, da dança, para depois fazer a reverência à santa. 

Os pagadores de promessa levam os seus ex-votos variados, na maioria artísticos, para serem benzidos. Não há sala de milagres no santuários, mas espaços avulsos em que o ex-voto é apresentado à multidão. Ou simplesmente circular carregado nas costas de cada um. Numas das igrejas, a segunda mais antiga, os ex-votos em forma de fita, num espaço singelo ao lado da nave.

As fotos abaixo apresentam um pouco desse show de cultura popular e de fé de um povo sem stress, alegre, gentil e encantador, que do caminho das ruas à imensa esplanada do santuário, vai divulgando uma tradição e fé milenares.

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​Os ex-votos e os pagadores de promessas em Guadalupe


​A multidão e a arquitetura

O povo que paga a promessa, que desce e sobe as ladeiras do imenso espaço do santuário. Três igrejas, a dos primórdios do século XVII, a igreja inclinada, que é a intermediária, a basílica nova. Entre a imensidão arquitetônica e espacial, a multidão de pagadores de promessas, crentes apenas, camponeses apenas, cidadãos que vão visitar e fazer a oração. Gente que quer registrar a sua história no espaço de Nossa Senhora.
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As 10 horas da manhã o movimento já era grande. Muita gente chegando ao santuário, que se encontra numa grande área próxima a lojas, alamedas e estações do metrô. 

O movimento de pessoas não para. Crianças, jovens, idosos, grupos, gente de todas as partes do México e do mundo se dirige ao santuário, em cuja entrada principal, na esplanada, grupos e movimentos sociais apresentam suas formas culturais na música, dança, arte pictórica e gestual. 

Entrar na igreja principal, naquele horário, é tarefa praticamente impossível.  

​Imagens de Fé

Muitas pessoas trazem os seus ex-votos nas costas. São crucifixos, estandartes, pequenos oratórios ou relevos. A maioria dos relevos e oratórios traz a figura de Nossa Senhora de Guadalupe.

As velas, que nem sempre se enquadram no processo ex-votivo, mas basicamente votivo, são coloridas, e estão acesas em vários pontos do santuário.

E singularmente, sobre ex-votos desobrigados, estão as fitas com inscrições feitas à mão, em canetas esferográficas. Elas estão na segunda igreja, ao lado esquerdo da nave. Algumas com anexo, seja um bilhete, seja uma foto colorida. Não há sala de milagres no santuário.

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MUSEU DE GUADALUPE

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O Museu da Basílica de Guadalupe está localizado atrás da Basílica Velha, a segunda igreja. Segundo as museólogas, algumas das salas do museu foram construídas especificamente para o uso museográfico em 1931. Outros espaços eram usados com o fim religioso, como sacristia, salão do reitor e escritórios específicos.

O museu foi inaugurado em 12 de outubro de 1941 pelo Abade de Guadalupe Feliciano XX Cortez e Mora. Possui hoje uma coleção de mais de 4.000 peças, sendo quase que 3.000 delas ex-votos, denominado “retábulos”. As demais peças são objetos que se enquadram na arte sacra, nas subcategorias da pintura, escultura, gravura, têxteis, jóias e móveis. 

Desde a sua fundação, o seu objetivo principal é resgatar algumas das formas de arte que se desenvolveram em torno da Virgem de Guadalupe. Dai a importância dada a sala principal, e primeira (da entrada) do museu, que traz os “retábulos” (ex-votos) que os fiéis têm depositado ao longo do tempo como agradecimento pelas graças alcançadas.


Os ex-votos, expostos, estão em murais verticais, colocados em madeira entre a colunata da sala retangular, um em frente do outro, com altura de aproximadamente 3 metros por 1,5 metro de largura. Os ex-votos, todos pictóricos, possuem datação que vai do século XIX a 1968. O mais antigo deles data de 1818, no qual tem a cena de uma mulher em um acidente de charrete.

O curioso são os “milagritos”, também denominado “milagros”. Ex-votos pequenos, antes de uma iconografia impar, que demarcava somente parte do corpo, mas que, como mostra a coleção exposta, se pode notar chaveiros, retratos pequenos emoldurados, medalhas, apitos, carros e até mesmo uma pequenino “rei leão” (personagem da Disney).  São ex-votos recolhido da outrora sala de milagres do santuário.
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As fotos abaixo mostram, em sequência, de cima para baixo, a entrada principal do museu, o frontal, em ângulo lateral, já que o museu fica na basílica velha. A partir da terceira foto, os ambientes do setor de documentação, mostram parte do ambiente de trabalho dos museólogos e técnicos do museu, da área da documentação. O museu não possui um sistema informatizado.

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​ICONOGRAFIA DOS EX-VOTOS DO MUSEU DO SANTUÁRIO DE GUADALUPE

ICONOGRAFIA E PERCEPÇÃO VISUAL 1: PINTURA

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Ao observarmos ao lado, contemplamos uma interessante cena religiosa de vívida demonstração de fé e veneração. Nela, o crente é apresentado em posição de profunda reverência – humildemente ajoelhado diante da sagrada aparição da Virgem.  Sua experiência e/ou êxtase místico é envolto de uma atmosfera de introspecção, acentuada pela cor cinza que predomina no fundo da imagem. Suas discretas vestimentas são representadas por uma calça marrom e uma camisa branca. Ele aparece ajoelhado, no canto inferior direito da imagem, sobre lajotas levemente avermelhadas com rejuntes de vermelho mais intenso que, ingenuamente, buscam simular uma noção de perspectiva; porém, a pintura se mantém chapada, com elementos harmoniosamente distribuídos pelo plano.

Na maioria das pinturas ex-votivas é perceptível a intenção de transmitir o sentimento religioso por parte do artista, e não necessariamente criar uma obra de representação realista.

A figura religiosa retratada no centro da pintura é identificada como a Virgem de Guadalupe e aqui surge por entre as nuvens originárias do centro inferior da imagem. Estas por sua vez, embora de estável rigidez compacta, surgem em formas circulares como algodão no ar, emoldurando delicadamente a figura central.

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Interessante observarmos também que a Virgem não fita o crente nos olhos, porque ela inclina levemente sua cabeça para o canto inferior esquerdo da pintura – lado oposto ao fiel. A figura religiosa é completamente feita em tonalidades quentes e vibrantes, encimada por uma coroa amarela; possui um manto azul cobalto que cobre parte de sua túnica vermelha. Ao seu redor é colocada vigoroso resplendor, também de cor amarela, contornada com tonalidade alaranjada, demonstrando sua eminente iluminação.  

No todo pictórico há somente a presença de quatro elementos: a Virgem, as nuvens, o fiel e as lajotas. Abaixo foi escrito um breve texto em letra cursiva, o qual não foi identificado em sua tradução, devido ao estado de conservação da obra. 

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Este expressivo ex-voto é datado em maio de 1998. A partir de uma análise técnica de materiais, não é possível identificar o pigmento utilizado em sua confecção, mas observamos que o suporte – papel ou tela – foi inserido em uma chapa de madeira sem verniz.  

Abaixo foram colocadas palavras escritas em preto, usando letras de forma maiúscula e minúscula, em agradecimento e com as seguintes inscrições:

“TE DOY GRACIAS porque la enfermedad ha sido una profunda oportunidad de acercarme mas a Dios y de vivir la pobreza de mi misma. Puebla, Mexico. Mayo 1998. Laura Elena Cuadriello A. Osu”.

O criador do ex-voto fez uso de determinada tonalidade de azul cerúleo claro, tornando o fundo um imenso espaço frio e, ao mesmo tempo, jogando, automaticamente, as figuras com tonalidades quentes para o primeiro plano. O fundo ainda é chapado, ou seja, sem apresentação de maiores graduações ou mesmo um leve degradé. Nele também percebemos a presença de sujidades, devido ao seu estado de conservação, as quais alteram a cor em alguns pontos da imagem, a partir de manchas amarelecidas.

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Em relação às figuras do primeiro plano, encontramos estáveis imagens simbólicas divididas basicamente em três núcleos. O todo não apresenta traços de perspectiva, exceto na escada onde o criador do ex-voto sugere, por meio dos sete degraus, limitada profundidade à obra. Da esquerda para direita foi inserida uma peculiar imagem da Virgem de Guadalupe, recortada e colada sobre a superfície do ex-voto e ao centro de uma “vesica pisces” – forma geométrica bastante utilizada em figuras religiosas na arte bizantina e medieval. 

Na vesica pisces foram inseridas cores como azul cobalto, amarelo, laranja, vermelho intenso e branco, propondo forte movimento de energia, fogo, luz e calor; distribuídas ao seu redor e de maneira incisiva, contrastando com as cores e volumes da imagem recortada. Ao centro do ex-voto, identificamos uma cruz também com raios de energia, porém muito mais soltos, e ainda um símbolo tríplice em cor branca onde as madeiras se convergem, podendo nos remeter ao fenômeno da trindade. Já no canto direito, três elementos se apresentam como se saíssem de uma vesica pisces deformada a qual, por meio de ligações coloridas, geométricas e simbólicas, retorna à figura da Virgem anteriormente comentada. Dentre os três elementos ressaltamos a escada e o que parece ser um guarda-chuva branco fechado, mas não identificamos, a priori, o terceiro elemento.

Nota-se à direita, ao alto do objeto um número de tombo: 1-1929

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Ex-voto foi confeccionado em madeira fina de tonalidade clara. A cena é dividida em três representações que formam uma narrativa constituída de imagens e descrição; nota-se ao lado esquerdo uma árvore inclinada em direção ao centro da imagem; no plano central se observa cinco homens com armas em punho apontadas para dois irmãos, na sequência uma estrutura que aparenta ser uma  casa. Ao lado direito  observa-se a  imagem de N. Srª de Guadalupe em ascensão. Abaixo da cena observa-se a descrição do fato ocorrido. 
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Ex-voto em madeira fina, completamente pintado; A cena acontece em uma sala de grande proporção em relação ao altar e à fiel; mostra paredes em cor, com graduações, azul celeste; piso em tonalidade aproximada do amarelo, com rodapé em tonalidade marrom escuro. No plano central se vê uma pessoa de joelhos em oração aparentemente segurando uma vela acesa em cumprimento de promessa; a figura, que aparenta ser feminina, está voltada para o altar decorado com dois arranjos de flores e uma cruz ao centro; na parte superior se observa flores coloridas e na sequência a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe em moldura ondulada. Legenda, na parte inferior, traz “DOY GRACIAS ALA Sra VIRJEN DE GUADALUPE. POR AVERME ALIVIADO DE […] BRONQUITES/ CARMEN CORONA. ENERO 25 de 1938”.​

Em linhas gerais este ex-voto possui uma estética bastante aproximada de uma arte ingênua, como a grande maioria encontrada em Guadalupe. Podemos aplicar, também, o termo Naïf, pois é sintomático nas construções pictórico-ex-votivas.

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Retábulo confeccionado em madeira fina completamente pintada, com cena  apresentada em um dormitório com teto possivelmente  composto de vigas de madeira,  parede na tonalidade amarela,  piso  de assoalho; à direita se observa três cadeiras e a imagem de N. Sr.ª de Guadalupe está em ascensão e resplendor, em seguida se nota um criado mudo com dois recipientes brancos: garrafa e copo; ao centro é visível um leito com uma pessoa deitada que utiliza um cobertor de tonalidade azulada; a direita se percebe uma penteadeira com dois vasos de elementos fitomorfos, ao centro um objeto semelhante a um espelho e acima um oratório; a direita se vê um guarda roupa com quatro gavetas e um espelho e em seguida se vê mais uma cadeira e um quadro fixado na parede.

A legenda contém a seguinte frase: “LA SEÑORA ANGELLA SANCHES DA GRACIAS  A LA SANTISIMA VIRGEN DE GUADALUPE POR HAVER DADO SU SALUD DE UMA ENFEMIDA DE REUMATISMO DRAPICO. 1-2- 51.” (SIC)A partir de uma análise de percepção visual se nota a divisão entre a construção da cena e uma tarja contendo a legenda. 

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É possível perceber que o objeto pictórico se apresenta chapado em um único plano, em tons frios e textura ondulada, onde se nota a formação de muitas linhas nas partes superior e inferior, que se manifestam respectivamente através de linhas retas e levemente hachuradas que atravessam totalmente sua largura. 

À esquerda do espectador é possível perceber a existência de um ponto que se alonga em linha, representado pela Virgem de Guadalupe, em carnação branca e envolta por manto azul, orlada em resplendor em tonalidade amarela no formato de mandorla, centralizada em uma formação ovalada ainda maior, configurada em ondulações azuis e brancas.

Este ponto se destaca em meio à cena devido à proporção com os outros elementos, que remete ao tamanho de miniaturas. Logo abaixo do primeiro plano se nota a tarja, contendo o verbete escrito à mão em letras de forma por tinta em tonalidade marrom.


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Tábua ex-votiva completamente pintada, bordas contornadas na cor preta. A construção pictórica está no primeiro plano, ao lado direito se percebe um homem, de carnação em tonalidade rosada, cabelos pretos e curtos, ajoelhado sobre uma superfície em meio a nuvens brancas, entre tons de azul. Ele veste calça marrom, camisa comprida na tonalidade branca, usando sapatos pretos; em suas mãos são visíveis dois objetos: arranjo de elementos fitomorfos, na mão esquerda, e uma grande vela branca acesa, na mão direita, o que pode significar o encontro da luz, o livramento do perigo. O suplicante está voltado para a imagem de N. Srª de Guadalupe, que ocupa o lado esquerdo do quadro, direita do observador; a padroeira se encontra, em sua iconografia tradicional, em meio a nuvens com graduações de azul; está em ascensão e revestida com resplendor dourado.

  No roda pé está a legenda: “DOY GRACIAS A LA VIRGEN DE GUADALUPE POR HABERME ALIBIADO DE MI ENFERMEDAD/ MARZO IO DE 1947 VICENTE SANCHEZ.” (sic)

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Tábua ex-votiva em madeira fina, completamente pintada, apresentando sinais de desgaste. 

Na cena representada, a construção pictórica se divide em duas partes, do lado esquerdo do espectador está posta a imagem da padroeira, que se apresenta erguida sobre a lua em quarto crescente em preto, na qual se nota, na região da peanha, a presença de um arcanjo de carnação em tom bege, vestindo sobrepeliz em tonalidade vermelha com graduações, com as mãos arqueadas, segurando uma flâmula com tonalidade tal qual a da sobrepeliz. O arcanjo possui asas coloridas em três tons distintos: preto, branco e vermelho, respectivamente. Acima, a Virgem de Guadalupe de carnação em tonalidade bege mais escura que a do arcanjo, cabelos pretos, vestida por uma alva em tonalidade vermelha com graduações e uma túnica verde escura com pequenos círculos em tonalidade verde mais clara no verso com o anverso em tonalidade azul claro, com as mãos em posição de oração, em resplendor; à direita, se encontra uma cama na diagonal, encostada na parede do que aparenta ser um quarto, no móvel que é representado em tonalidade vermelha. Roupa de cama em tonalidade azul claro com graduações. Um corpo de um indivíduo prostrado abaixo da roupa de cama, com a sua cabeça à mostra, de carnação branca e cabelos pretos. Certamente que da Sra. Petra Rangel, que com este ex-voto testemunha o seu acontecimento, como esclarece ainda mais a legenda que está no roda pé da pintura:

 “ DOY INFINITAS GRACIAS A LA STMA. VIRGEN DE GUADALUPE POR HABERME HECHO EL MILAGRO DE SALVARME DE UMA ENFERMEDAD / PETRA RANGEL DE VELAZQUEZ/ MAYO DE 1968 / QUERETARO, QRO. ” (sic)

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Ex- voto em Nossa Senhora de Guadalupe

Ex-voto apresentando pintura em madeira fina. A cena é construída num ambiente que mostra paredes de um cômodo com variações de azul acinzentado e verde escuro, piso em desgaste com oscilação de tonalidades branca e amarela.  A narrativa se passa em um leito de hospital, são visíveis três enfermos de carnação rosada e cabelos pretos; eles estão repousando sobre lençóis padrão branco e travesseiro amarelo.  No primeiro plano se observa a legenda na parte superior, à direita da da tradicional imagem de N. Sra. de Guadalupe: “Virgen Maria Santisima de Guadalupe, Madre nuestra, una ves mas te doy grasias, por haber salvado mi hogar de la mas horrenda desgracia.Yo tu hijo. SALVADOR MORELOS” (sic).

O primeiro paciente, trajando uma camisa comprida no tom alaranjado até a região do antebraço, se encontra de barriga para cima, com o braço direito sobre o abdômen e o braço esquerdo alongado sobre a parte externa da coberta; está parcialmente coberto por uma colcha com graduações de verdes clara e escura.  O segundo paciente repousa na posição lateral esquerda, com braço direito para fora; está coberto com uma colcha mesclada em branco e vermelho.  O terceiro leito está ocupado por uma enferma que possui cabelos em tamanho mediano, até a região dos ombros; está vestindo uma camisa marrom longa até a região do punho; está descansando de barriga para cima, e expõe o braço esquerdo sobre a colcha mesclada em azul e branco. 

Ao lado direito do terceiro leito se vê um suplicante, de carnação rosada, vestindo sapato preto, calça preta, camisa comprida verde; possui cabelos pretos. O possível visitante se encontra ajoelhado e com as mãos postas em sinal de oração; está direcionado à paciente e imagem da padroeira.

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Ex- voto em Nossa Senhora de Guadalupe

Tábua ex- votiva completamente pintada e confeccionada em madeira fina, sem datação. A narrativa está dividida em três planos; e se passa em um dormitório composto por parede azul claro e chão com piso desenhado em dourado e marrom. No primeiro plano, parte superior, à direita do quadro, se vê a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe em ascensão, rodeada de nuvens em tons brancos e acinzentados, estando envolta do próprio resplendor dourado; acima da cabeça da padroeira se nota um pássaro de bicos compridos, carregando toda a imagem da Nossa Senhora. 

Na extremidade, à direita, são visíveis arranjos de elementos fitomorfos em tons verde, vermelho e branco; e na extremidade, à esquerda, se vê a bandeira do México, com o brasão desfocado. No segundo plano se observa um leito com cabeceiras marrom; a suplicante se encontra em repouso e ao seu lado direito se vê uma criança recém nascida, ambas cobertas por um lençol branco que recai em direção ao chão, com a seguinte inscrição: “ES UM MILAGRO”.  Acima do leito se vê um quadro fixado na parede, com a paisagem de céu azul e nuvens brancas; há elementos fitomorfos com oscilação de verdes claros e escuros; o solo é demarcado com um caminho central e ao fundo se vê montanhas.

No terceiro plano se nota a legenda: LA SRA. ANA. MARIA MURILLO! SE EN COMENDO A LA SMA.VIRGEN DE GUADALUPE! POR -5- TUMORES.  EN LOS SENOS SINPODERLE DAR. ALIMENTASION A SU NIÑA. Y LA CLEVARON CON ESPESIALISTAS DE ALIMEODRIGUEZNTASIONES. A LA NIÑA. !!  IRENE- RODRIGUEZ !! DE 4 MESES. Y DOY. LAS MAS. INFINITAS GRACIAS. PUBLICADAS. YPAGO. ESTE RETABLO. POR NUESTRO SALUD. VIVIA. MEXICO.

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Ex- voto em Nossa Senhora de Guadalupe

Ex-voto pictórico representando cena que acontece provavelmente em um quarto, com paredes em tonalidade azul e manchas de decomposição; piso com tons de marrom. No pequeno ambiente se observa, à esquerda, a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe revestida pelo tradicional resplendor, e ao lado direito, diante da imagem da santa se percebe uma família com mãos postas em oração, joelhos flexionados ao chão, e aparentemente com os pés descalços; no centro se destaca a figura masculina, o patriarca da família, trazido em veste branca e escápula vermelha; os demais integrantes aparecem em organização enfileirada. É notável um menino com vestes brancas na sequência próxima a parede; a matriarca aparece vestida com blusa branca e saia comprida na cor azul escuro, é visível em seu colo um bebê envolto por um manto amarelo; ao lado direito da mulher mais uma criança, também com traje branco. Na parte inferior do retábulo, a descrição do ocorrido: 

“Macário Montalbo estando gravemente enfermo, in / vocó com el alma à Ntra divina Madre de Guadalupe: y[…] cobró La salude. El y su família le dan gracias. […]

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Ex- voto em Nossa Senhora de Guadalupe

Tábua ex-votiva confeccionada em madeira fina completamente pintada, datada de 1940.  A narrativa se passa em ambiente natural e apresenta dois planos. No primeiro se observa o verbete: “Susana jobani. agosto. 15 de 1940” (sic). No segundo plano, se observa, à esquerda, uma mulher de carnação branca e cabelos loiros, trajando sapatos pretos e meias brancas, usando vestido em tonalidade lilás e cinto preto marcando o abdômen, segurando uma grande vela acessa na mão direita. Posicionada de joelhos, fazendo alusão ao cumprimento de desobriga, no caminho de terra delimitado no solo. Atrás da suplicante se nota quatro elementos fitomorfos em tom verde escuro, apresentando tamanhos diferentes; à esquerda da fiel se vê a presença de picos montanhosos em tonalidades azuis e verdes; por detrás das rochas se observa uma luminosidade amarela; o que pode dar sentido ao percurso da suplicante ao encontro de Nossa Senhora de Guadalupe. A imagem da santa está situada a direita do observador; a santa está em ascensão, envolta pelo próprio resplendor, perpassando pelo céu azulado com presença de nuvens. 

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Ex- voto em Nossa Senhora de Guadalupe

Objeto ex-votivo confeccionado em tábua completamente pintada, composto em  três planos, onde no primeiro se observa uma paisagem, no segundo a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, e no terceiro a inscrição da graça alcançada. Na paisagem, o mar aparece centralizado, em tonalidade azul com graduações, e ondas presumidas pela tonalidade branca, no qual se percebe a presença de um corpo aparentemente feminino, de carnação branca, com cabelos pretos e vestimenta na tonalidade amarela, parcialmente submerso na água. Ao fundo se situa uma cadeia de montanhas em tonalidade azul com graduações em branco. À esquerda da imagem se nota a presença de elementos fitomorfos, tais como um arbusto e uma planta aparentando ser uma palmeira, ambos em tonalidade verde, sobre uma estrutura acinzentada semelhante a uma rocha. À direita, uma formação rochosa de tonalidade cinza, apresentando sombra em tom mais escuro. No segundo plano, que está na parte superior esquerda do retábulo, se observa a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, com o tradicional esplendor, e à sua esquerda se percebe uma mulher de carnação branca, envolta por um manto vermelho, com túnica amarela de orla branca, ajoelhada e com as mãos em posição de oração. Em seguida, a descrição que se refere ao fato ocorrido:  

“Doy Gracias a la Santisima Virgen de Guadalupe… por haverme salvado de ahogarme em el puerto de Manzanillo  Col. 4 de Abril/58  José Muñoz E.”
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Em termos de percepção visual (pintura), nota-se um primeiro plano mesclado ao segundo, pois foi inserido diretamente sobre ele e é representado pela legenda escrita à mão, apresentando três tipologias distintas de caligrafia, e alternando as tonalidades vermelho e preto.

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Imagem numa perspectiva da percepção visual – pintura

O segundo plano é composto por três pontos primários que se alongam. Respectivamente da esquerda para a direita do observador o primeiro se alonga verticalmente e representa a Virgem de Guadalupe, configurada em sua estética tradicional; o segundo é ampliado em “L” representado pela fiel de joelhos e corpo direcionado à Virgem, compondo parte de um triângulo; e o terceiro se acentua levemente em horizontal, criado pelo corpo parcialmente submerso. O terceiro plano configura-se em uma paisagem natural, com um elemento fitomorfo à esquerda e um bloco rochoso à direita. Pela mesclagem de tonalidades, podemos afirmar ser uma pintura ácida, quando as tonalidades quentes e frias se aproximam, não proporcionando o quente e o frio da composição. Há pequenas ondulações na composição, mostradas nos rochedos e levemente na água.


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Ex- voto em Nossa Senhora de Guadalupe

Tábua ex-votiva, confeccionada em madeira fina, datada em 1941; plano de fundo quase que totalmente pintado em tonalidade marrom.

À esquerda se nota uma mulher de carnação branca, cabelos pretos; trajando vestido de manga comprida que cobre o corpo inteiro; ela evidencia a enfermidade do membro inferior direito, imobilizado desde a crista da tíbia até o calcante; repousando sobre um assento de madeira com quatro ancas; estando com a perna levemente suspensa, apoiando-a sobre um pequeno tamborete de madeira; o pé da suplicante entra em contato com as nuvens da tradicional imagem de Nossa Senhora de Guadalupe em ascensão, que se encontra frontal ao corpo da suplicante, à direita do observador.

Nota-se o arcanjo na peanha da padroeira; de carnação branca, com cabelo marrom na região dos ombros, com os olhos fechados, pescoço levemente curvado à esquerda, vestindo uma camisa vermelha e asas graduadas em azul, amarelo e vermelho; acima dele se observa a Nossa Senhora, também de carnação branca; vestindo túnica vermelha e véu sobreposto em tonalidades azul claro e escuro, com detalhes e borda dourada; mãos postas em sinal de oração; pescoço pendido levemente à direita; envolta pelo próprio esplendor, rodeada de nuvens.

A parte inferior do ex-voto preserva a madeira natural; disponibilizando o registro epigráfico da suplicante: “Estando enferma de uma pierna, por uma llaga. Pedi a Na. Sa de Guagalupe, com todo Corazón alibiara, em accion de grasias dedico, el presente. Romana Estrada. Fro.26. 1941” (sic).