O Senhor dos Milagres de Buga é uma imagem da crucificação de Cristo, de culto católico, localizada no camarim da Basílica Menor do Senhor dos Milagres de Buga, na cidade colombiana de Guadalajara de Buga, no departamento de Vale do Cauca.
É uma imagem esculpida em madeira de um Cristo preto (chamado carinhosamente de O pretinho), crucificado, já falecido, com o corpo muito curvado, os cabelos encharcados de sangue e os lábios entreabertos. Quanto às suas dimensões, tem 1,70 m de altura e 1,30 m de largura.
Ele passou a ser chamado de “Senhor dos Milagres” em decorrência dos testemunhos de milagres de cura de doenças, libertação, restauração de lares e casamentos, restauração econômica, prosperidade, entre outros, devido à adoração ao Santo Cristo. A Igreja Católica comemora esta devoção no dia 14 de setembro de cada ano.
Existem várias versões sobre a história desta imagem da Crucificação de Cristo. A mais difundida narra que uma indígena lavava roupa no rio Guadalajara para comprar uma nova imagem de Jesus Cristo, produto do dinheiro obtido com seu trabalho. Um dia, vendo que um vizinho ia ser preso por uma dívida que não tinha conseguido pagar, decidiu cobrir a dívida do homem para que ele fosse libertado. Em outra ocasião, no rio que a indígena visitou enquanto fazia seu trabalho, ela viu um objeto brilhante descendo o rio. Foi um crucifixo que ele levou para casa e colocou no meio das águas num altar. No dia seguinte, ao acordar, descreveu que a efígie havia crescido até o tamanho atual (1,3 m sem cruz).
Outra versão conta que uma mulher estava lavando roupa no rio Guadalajara e viu descer um pequeno crucifixo, que ela pegou e guardou em uma caixa de fósforos dentro de uma gaveta. Mais tarde e durante as noites, ela ouviu ruídos durante a noite, mas uma noite percebeu que estes vinham do crucifixo que havia aumentado de tamanho, quebrando a caixinha que o continha e continuou a crescer com o passar dos dias, até atingir seu tamanho atual.
Por ordem da Cúria diocesana, então localizada em Popayán, foi ordenada a destruição da imagem, pois apresentava muitas deteriorações causadas pelas mãos imprudentes das pessoas que a arrancaram alguns pedaços. Isto foi testemunhado sob juramento perante o Visitador (autoridade espanhola do período colonial), em 1665, Dona Luisa de la Espada, filha de um dos patriarcas de Buga. Ela garantiu que a imagem, jogada no fogo, não queimou, mas suou e as pessoas encharcaram algodão no suor. Este testemunho é preservado.
Algumas pessoas afirmavam que esse algodão impregnado conseguia curar suas doenças, e imediatamente o Cristo foi retirado do fogo. Em 1884, quando os missionários redentoristas chegaram a Buga para cuidar da ermida e do culto que ali se celebrava, a história da descoberta da imagem de Cristo nas águas do rio Guadalajara era bem conhecida entre os habitantes locais. Os missionários construíram uma nova ermida (da qual se conserva a Torre Sineira) para albergá-la, uma vez que um terremoto ocorrido em 9 de julho de 1766 destruiu a anterior. Por fim, a imagem foi levada ao atual templo, a Basílica Menor do Senhor dos Milagres de Buga.
A primeira pedra do atual templo foi lançada em 1892 e foi abençoada por Juan Buenaventura Ortiz, então arcebispo de Popayán e com a presença de Rafael Núñez, então presidente da República da Colômbia. O templo foi inaugurado em 2 de agosto de 1907, e a imagem ali permanece desde então.
As placas (ex-votos) que ao longo do século XX foram trazidas pelos devotos como agradecimento ao Senhor dos Milagres ao Santuário, foram levadas para um longo corredor junto à Basílica, onde hoje se encontra o mural das salas penitenciais. Corria o ano de 1978 e ali estavam expostas algumas coisas do arquivo do convento. Em 1990 o Museu do Senhor dos Milagres mudou-se para o local que hoje ocupa, em frente ao escritório paroquial, com mais elementos e explicações.






























































