Cemitério Central, Bogotá D.C.

Assim, desde 1793 o Arcebispo de Bogotá no hospital São João de Deus tinha colocado o cemitério “La Pepita” em serviço, à sua conotação pública gerou rejeição entre a classe alta da cidade. Por isso, foi planejado outro cemitério para que fossem enterrados os ricos da cidade. O Cemitério Central foi planejado inicialmente por solicitação emitida em 11 de abril de 1791 pelo vice-rei José Manuel de Ezpeleta e reiterada em 1804, com os planos elaborados pelo engenheiro militar espanhol Domingo Esquiaqui. No entanto, a construção só começou em 1832, por Pío Domínguez e Nicolás León. Foi inaugurado em 1836 pelo governador Rufino Cuervo, sob a presidência de Francisco de Paula Santander e foi inicialmente denominado Cemitério Universal, mas o cemitério já funcionava como tal desde 1832. 

A entrada principal do Cemitério Central foi projetada pelo arquiteto bogotano Julián Lombana Herrera em 1904. Arrematando o arco está a escultura do deus Saturno (Crono na mitologia grega), feita por Colombo Ramelli, que adorna o topo, a cujos pés se lê a frase: “Exspectamus Resurrectionem Mortuorum” (Aguardamos a ressurreição dos mortos). O acesso culmina com uma cruz católica.

Atualmente no cemitério, convivem pessoas de diferentes condições sociais, inclusive na elipse central, local mais exclusivo do lugar. Alí estão enterrados, políticos, poetas, músicos, pessoas famosas, cientistas, padres, ricos, pobres, ex-guerrilheiros, líderes sindicais, entre outros tipos de pessoas. É por isso, que se desenvolveram diferentes manifestações de religiosidade popular ligadas a diferentes personagens que hoje jazem no cemitério. Entre os túmulos, esculturas e monumentos que permanentemente ficam cheios de ex-votos por causa da devoção popular estão:

  1. Escultura da Piedade. Monumento ä memória José Ignacio Lago Álvarez, um jovem de familia com dinheiro que morreu afogado na cidade de Hamburgo na Alemanha em 1928, no mesmo ano, a sua família encomendou uma escultura em bronze da Virgem segurando Jesus no colo enquanto era descido da cruz, que foi feita em Roma pelo artista italiano Ermenegildo Luppi. Quando a Piedade chegou em Bogotá, instalou-se na elipse interior na alameda central do cemitério. A cada segundo das almas do purgatório, as pessoas pedem pela sua saúde e deixam todo tipo de oferendas votivas efêmeras na escultura para agradecer.
  2. Túmulo de José Raquel Mercado Martínez. Foi um líder sindical preto, assassinado pela organização guerrilheira Movimento dezenove de abril (M-19), acusado de traição ao movimento sindical. O governo nacional liderado pelo Ministro de Governo, Cornelio Reyes Reyes, não quis atender aos pedidos do M-19 e em 19 de abril de 1976, após 64 dias de cativeiro, foi assassinado e seu corpo foi deixado na rotatória da Avenida Calle 63 e Carrera 50, em Bogotá. O túmulo é visitado constatenmente por diferentes pessoas de deixam todo tipo de ex-votos efêmeros para pedir favores e agradecer.
  3. Túmulo Júlio Garavito Armero. (Bogotá, 5 de janeiro de 1865 – Bogotá, 11 de março de 1920) foi um astrônomo, matemático, economista, poeta e engenheiro colombiano. Sua pesquisa contribuiu para o desenvolvimento da ciência na Colômbia durante o século XIX. Foi diretor do Observatório Astronômico ao longo de vinte e sete anos. Como astrônomo, fez inúmeras descobertas úteis, como a localização latitudinal de Bogotá, estudos dos cometas que passaram pela Terra entre 1901 e 1910, este último, Halley. Em sua homenagem, uma das crateras lunares no lado oposto daquela visível da Terra recebeu seu nome em 1970. O seu túmulo foi pintado de azul, porque a nota de 20.000 pesos da anterior edição de notas do Banco da República, era uma homenagem para este cientista. Ele morreu devido a uma doença causada por seu trabalho em uma mina. O túmulo é visitado constatenmente por diferentes pessoas de deixam todo tipo de ex-votos efêmeros para pedir favores e agradecer.
  4. Túmulo Leo Siegfried Kopp Koppel. (Offenbach, Alemanha, 14 de agosto de 1858 – La Esperanza, Colômbia, 15 de setembro de 1927) foi um diplomata honorário e empresário alemão. Ele chego em Colômbia no departamento de Santander em 1886 com o seu irmão Emil e, depois se deslocou para Bogotá. Em 1889 fundou a empresa de cerveja mais importante do pais, Bavaria S.A. Conhecido por sua generosidade, as pessoas o procuravam em busca de apoio. Leo Kopp garantiu, entre outras coisas, que a água potável estivesse disponível para os pobres. Mandou construir poços e encanamentos de água, e também construiu o bairro La Perseverancia (na capital do pais), para funcionários e integrantes de sua cervejaria. Devido a isto, o seu túmulo é visitado constatenmente por diferentes pessoas que sussurram no ouvido esquerdo da estatua de bronze (cópia do pensador de Auguste Rodin), para pedir favores e deixar todo tipo de ex-votos efêmeros para agradecer.
  5. Túmulo irmãs Bodmer. Foram quatro irmás, María Benita (1894-1895, morreu de varíola), Victoria (1896-1903, morreu por causa desconhecida), Elvira (1897-1903, morreu por causa deconhecida) e Ida Matilde (1909-1910, morreu de meningite), que faleceram muito jovens e que estão enterradas junto com seu pai, o relojoeiro suiço Gaspar Bodmer (1854-1914), cuja esposa foi Esther Bernal, mãe das meninas. No túmulo há duas esculturas que representam a Elvira e a Victoria, feitas por petição de Gaspar, quem logo de ter um sonho com suas filhas, viaja na Suécia e pede para o escultor Gustav Siber e o fundidor Joseph Malesset, fazer as estatuas. Os mais crentes asseguram que estas meninas, estão encarregadas de interceder diante de Deus pela saúde das crianças e das grávidas, por isso todos os seus visitantes lhes trazem brinquedos, doces, pulseiras e flores como símbolo de gratidão por todos os favores que as pequenas concedem.