Quarto dia – Mesas 5 e 6 & Encerramento

DIA 16 de dezembro
Local: Museu Carlos e Margarida Costa Pinto
Manhã
9:00 ao meio dia.
Palestra com o Professor Dr. Fabiano Lopes de Paula. IEPHA/MG.
Tema: A exposição museológica e os bordados ex-votivos
Local: Biblioteca Anísio Teixeira.
Largo de São Bento.
Tarde
14:00 – 15:50
MESA 5 - Patrimônio, Memória e Preservação

Mediadora: Rosana Costa. PPGCI/UFBA;
Palestra 1: Entre o altar e a vitrine: percursos da gratidão material no complexo de Maria Ausiliatrice, em Turim

Prof.ª Dra. Zeny Duarte de Miranda – PPGCI/UFBA/GREC

Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/3163746449445444

Resumo: Apresentar-se-á uma reflexão sobre a materialidade da devoção no contexto do complexo da Basílica de Maria Ausiliatrice, em Turim (Itália), focalizando os percursos da gratidão material manifestados entre o altar litúrgico e o espaço expositivo de objetos devocionais. A Basílica, construída por São João Bosco (Dom Bosco) em honra à Virgem Maria, constitui um lugar de grande significado histórico e espiritual para a tradição católica e a comunidade salesiana, onde a pintura da Madonna no altar principal assume papel central na experiência de fé e encontro com o sagrado. A abordagem teórico-metodológica situa-se no campo da religião material, que concentra atenção em coisas, objetos e práticas materiais como expressões incorporadas de devoção e gratidão — ex-votos, oferendas e lembranças — funcionando simultaneamente como testemunhos afetivos e mediações entre fiéis, espaço sagrado e tradição religiosa. Essa perspectiva permite interpretar como objetos ligados à devoção e ao agradecimento transitam entre o altar, enquanto locus litúrgico, e a vitrine, enquanto suporte de memória e identidade cultural. Ao conectar história, arte sacra e práticas devocionais, o estudo evidencia a importância de abordar não apenas narrativas textuais ou religiosas, mas também a experiência sensorial e material da fé, revelando dinâmicas de agradecimento e memória inscritas nos objetos e nas relações afetivas que eles estabelecem com os fiéis e com a tradição litúrgica.
Palestra 2: A inquietude da questão racial: para uma outra educação e um outro museu

Dr. Antônio Marcos de Oliveira Passos – Museu de Arte Sacra/UFBA/GREC

Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/7171727512523860

Resumo: As argumentações desse tema repensam a Questão Racial, a Educação e os Museus em contextos decoloniais. Debruçam-se, a partir da teoria racial crítica, questões das Colonialidades nos Museus e sua noção de educação adestradora, passiva e alegórica. Trazem a metáfora do Museu Templo e Museu-Fórum para acionar diferentes problematizações.
Palestra 3: Inventário de plantas: encruzilhadas da musealização de coleções vivas no Memorial Ilê Axé Oyá Bagan, Distrito Federal

Prof. Dr. Clovis Carvalho Britto – UnB/PPGMUSEU UFBA

Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/7846212059366799

Resumo: O trabalho apresenta as especificidades da musealização de coleções vivas tendo como estudos de caso os resultados de um projeto de extensão elaborado entre a comunidade do Ilê Axé Oyá Bagan, terreiro de candomblé localizado no Paranoá, Distrito Federal, e o curso de Museologia da Universidade de Brasília. O terreiro possui o Memorial Ilê Axé Oyá Bagan, processo museológico reconhecido como ponto de memória pelo Instituto Brasileiro de Museus, e as plantas sagradas consistem em uma de suas principais coleções. O intuito é apresentar as estratégias para a realização do
inventário de plantas e o modo como a musealização contribui para a construção deoutras perspectivas de patrimônio, memória e preservação.
Palestra 4: Pedra e Cal: patrimônio construído e memória histórica da cidade do Salvador."

Dr.Ednaldo Soares

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0043092738071143

Resumo: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica acerca de algumas construções locais de pedra e cal (na maioria, destinadas a cultos religiosos da Igreja Católica), tombadas, integrantes do patrimônio histórico e cultural da Cidade do Salvador (BA). O trabalho chama a atenção para a urgência de se implementar medidas e políticas educativas vis-à-vis a necessidade de se criar e/ou estimular na população senso de pertencimento com relação ao seu patrimônio histórico e cultural e consequentes esforços para salvaguardá-lo.
Coffee-break
16:10 – 18:30
MESA 6 - Patrimônio Imaterial
Mediadora: Elisabete Assis. Dept. Museologia

Palestra 1: Patrimônio imaterial: A Mosteirópolis de Bernardo de Claraval: Real Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça ― Patrimônio Imaterial da Ordem de Cister

Dr Everaldo Mendes – UNIFAP/PPGMUSEU-UFBA/GREC

http://lattes.cnpq.br/6102492484900096
Contato: everaldo.mendes@ufba.br

Resumo: A palestra aborda a polêmica no século XII sobre o uso de elementos luxuosos em arquitetura e arte, promovida pela Ordem de Cister, que rejeitou itens como vitrais, esculturas e tapetes em espaços litúrgicos, seguindo a Regra de São Bento. O Real Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, fundado em 1153 por Dom Afonso Henriques e Dona Mafalda, reflete essa postura austera, sendo um símbolo do poder da dinastia portuguesa após a vitória sobre os mouros. A pesquisa investigou a influência de Bernardo de Claraval na arquitetura portuguesa e sua proposta de uma cidade utópica, autossuficiente, que impactou o urbanismo moderno.
Palestra 2: Ex-votos como testemunhos linguísticos: tradição discursiva e patrimônio imaterial.

Dr. Marcus Dores – UFBA/Cátedra UNESCO PCI/GREC

http://lattes.cnpq.br/6675685809639295
Contato: marcusdores@gmail.com

Resumo: Apresentaremos ex-votos alentejanos como testemunhos linguísticos e culturais, compreendendo-os como objetos que revelam um saber-fazer tradicional e tradições discursivas historicamente construídas. Por meio de uma abordagem interdisciplinar que combina filologia, linguística histórica e estudos sobre patrimônio cultural, investigamos como os ex-votos pintados, compostos por legendas e pinturas, preservaram construções linguísticas, escolhas lexicais e estratégias enunciativas associadas a contextos sociais e religiosos específicos. O conceito de tradição discursiva orientou a nossa análise, permitindo-nos verificar tanto a estabilidade formal destes textos votivos como as variações resultantes do tempo, do espaço e dos indivíduos envolvidos. Com base em um corpus de ex-votos alentejanos dos séculos XVIII e XIX, mostraremos como estes objetos, cuja preservação e valorização são fundamentais, articulam memória, fé e linguagem, constituindo fontes relevantes para a memória cultural e para as histórias da língua e dos textos.

Palestra 3: A doação de Santo Antônio (1942), de Candido Portinari, à Igreja de Brodowski: arte, devoção e patrimônio.

Dr. Thaís Thomaz Bovo – Coordenadora Pedagógica na Prefeitura de São Paulo/

Universidade Nove de Julho (UNINOVE)/GREC
http://lattes.cnpq.br/6274130539752417
Contato: tha_bovo@yahoo.com.br

Resumo: Este trabalho apresenta um estudo de caso sobre a pintura Santo Antônio(1942), de Candido Portinari, instalada na Igreja de Santo Antônio em Brodowski (SP) como doação. A partir desse caso, discutir-se-ão as diferenças e aproximações entre a doação e o ex-voto, observando como essas categorias se tensionam quando aplicadas à uma obra de autoria consagrada e incorporada ao cotidiano local. A metodologia combina análise formal e iconográfica com a leitura do Livro Tombo/Termo de Doação, além do uso da História Oral, por meio da análise de entrevistas com sujeitos vinculados à igreja, à comunidade e à memória do artista. O estudo evidenciará como a arte, a devoção e o patrimônio se articulam num mesmo objeto, revelando a dimensão social das obras religiosas no interior da comunidade.
18h30 às 20hVisita guiada: Museu da Polícia Militar do Estado da Bahia.
Quartel dos Aflitos.

Palestra do Me. Raimundo Marins.
Encerramento.